Seletividade e Neofobia Alimentar na infância

Entendendo um pouco mais sobre o assunto. 

Saber como identificar sinais e sintomas os comportamentos alimentares presentes na primeira infância ou adolescência são fundamentais para o nutricionista especialista na área ou, o que deseja aprofundar seus conhecimentos no mundo da nutrição materno-infantil.

Além de entender os fatores determinantes dessas condições clínicas, é preciso propor processos educativos para a mudança do padrão alimentar, e elas podem começar com algumas orientações. Confira mais sobre esse assunto no artigo abaixo.

Seletividade versus Neofobia Alimentar

Tanto a Seletividade quanto a Neofobia, são exemplos de comportamentos alimentares característicos, geralmente, da primeira infância e ambos têm em comum o fato de haver uma variedade alimentar reduzida.

A seletividade pode ser um risco para a neofobia, que é literalmente o medo de alimentos novos, ou uma resistência individual em comer e/ou experimentar “novos” alimentos, ou seja, alimentos diferentes do padrão habitual de consumo.

Seletividade Alimentar

As causas deste comportamento são diversas e não bem esclarecidas e, pode haver associação com: menor duração do aleitamento materno exclusivo, introdução precoce dos alimentos complementares, baixo peso ao nascer e influência genética.

Tanto fatores orgânicos quanto psicológicos podem estar presentes nesse comportamento. Algumas crianças apresentam aversão sensorial de alguns alimentos e, quando são pressionadas a experimentar algo que ocasione este sentimento, podem rejeitar, ter náuseas e até vomitar.

Também é possível que esse comportamento de rejeição esteja ligado a alguma situação traumática. O quadro de refluxo, por exemplo, pode ser um dos fatores que leva as crianças a terem medo de comer e sentir dor.

Sinais e Sintomas de Seletividade Alimentar

A seletividade compreende 3 principais características: recusa alimentar, repertório limitado de alimentos e ingestão alimentar única de frequência, veja com mais detalhes abaixo:

  • Recusa de alimentos: número absoluto de alimentos que os pais indicam que a criança não come, bem como na porcentagem de alimentos que a criança não come em relação ao número de alimentos oferecidos;
  • Ingestão Alimentar de alta frequência: alimentos (exceto bebidas) que as crianças comem mais de 4-5 vezes por dia. Neste caso, o Questionário de Frequência Alimentar (QFA), é a ferramenta ideal para avaliação;
  • Repertório limitado de alimentos: repertório alimentar de cada criança, ou seja, quantos alimentos únicos (incluindo bebidas) cada criança consome por um período de três dias. A avaliação do repertório é realizada por meio de Registro Alimentar de 3 dias.

O que é possível orientar aos responsáveis?

Para lidar com a seletividade alimentar, é importante:

  • Organizar uma rotina alimentar com horários definidos, inclusive com tempo máximo de refeição;
  • Não obrigar a criança a comer tudo o que está no prato;
  • Evitar a monotonia alimentar.

Neofobia Alimentar

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5), a neofobia alimentar é classificada como Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo. Está classificação é caracterizada por comportamentos com persistentes perturbações alimentares que levam a um aporte nutricional e energético insuficientes.

A neofobia refere-se a um medo avassalador de alimentos novos ou desconhecidos; 'neofobia' refere-se especificamente ao medo do novo. A neofobia alimentar descreve uma condição em que as preferências são esmagadoras, fóbicas e com alta probabilidade de ter um impacto social e um impacto na dieta.

Sintomas e sinais de neofobia alimentar

Algum grau de neofobia alimentar é comum e esperado na primeira infância como parte do desenvolvimento normal, principalmente entre três e sete anos de idade. Normalmente as aversões alimentares diminuem a partir dos oito ou nove anos de idade e é incomum que elas persistam na adolescência e na idade adulta.

Veja abaixo os sintomas e sinais da neofobia:

  • Recusa em comer novos alimentos além da primeira infância na adolescência;
  • O medo de novos alimentos é esmagador;
  • O paciente evita festas e viagens escolares, devido ao medo de ter que comer novos alimentos;
  • Há um impacto psicológico: com a presença de angústia e ansiedade significativas.

O que é possível orientar aos responsáveis?

Para iniciar o tratamento da neofobia, é possível:

  • Não oferecer alimento com a criança cansada ou excitada;
  • Respeitar os sinais de fome e saciedade da criança;
  • Evitar oferecer alimentos muito calóricos antes do almoço e janta.

Além disso, é importante reforçar que a relação de amor e confiança entre quem cuida da criança é essencial para o tratamento e pode minimizar os sintomas em alguns casos.

O nutricionista responsável pelo atendimento de pacientes na primeira infância deve estar preparado para identificar e manejar tanto a seletividade, quanto a neofobia alimentar, a fim de evitar de sérios desequilíbrios nutricionais que podem comprometer o desenvolvimento ideal da criança.

Você é nutricionista e tem interesse em aprofundar o seu conhecimento em comportamento alimentar ou especializar-se em nutrição na gestação, primeira infância e adolescência?
Acesse os links abaixo e saiba mais:
Como funciona o Pós-Graduação em Pediatria? 
Comportamento Alimentar
Comportamento Alimentar na Infância e na Adolescência

Palavras-chave: comportamento alimentar; neofobia alimentar; seletividade alimentar; ingestão alimentar; nutrição materno-infantil; primeira infância; avaliação do consumo alimentar.

Referências:
APA – AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Transtornos Alimentares. In: APA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5a ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2936505/
https://www.alimentarium.org/en/knowledge/food-neophobia-0#:~:text=Food%20neophobia%20is%20the%20fear,of%20anything%20new%20or%20unfamiliar.
https://www.newbridge-health.org.uk/eating-disorders-help/food-neophobia/