Nutrigenômica e Modulação Intestinal

A nutrigenômica é a ciência que estuda a interação entre os nutrientes e os genes humanos. Isso significa que ela estuda como as necessidades nutricionais e o metabolismo dos nutrientes é influenciado pelo DNA e pelo código genético de cada indivíduo. A dieta pode influenciar de maneira direta ou indireta na expressão genética e de diversas formas (desde o estímulo para que o gene seja expresso até modificações nas proteínas depois de serem traduzidas).

Cada indivíduo possui a sua “flora” (microbiota) intestinal. Essa composição da microbiota é influenciada por fatores ambientais, individuais e genéticos. A maior parte das bactérias que a compõem não são patogênicas, muitas são adquiridas no nascimento, e se desenvolvem de acordo com os hábitos pessoais, uso de medicamentos e estresse.

Um dos fatores que influencia na modulação intestinal é a alimentação. O que é a qualidade do que se come influencia diretamente neste meio, uma vez que a dieta altera a atividade metabólica e a composição da microbiota. Isso acaba influenciando na resposta imune e inflamatória do organismo, influenciando diretamente na saúde.

Um dos campos de estudo da nutrigenômica é justamente como os alimentos influenciam na expressão dos genes e alteram a microbiota intestinal nas patologias. Um exemplo é na Doença Celíaca, doença autoimune que ocorre pela presença de glúten na dieta em indivíduos que possuem predisposição genética. Essa intolerância ocorre por uma parte das proteínas de alguns cereais, como é o caso da gliadina, uma fração da proteína do trigo. Essa porção faz com que inicie um processo inflamatório – possivelmente através da modulação da expressão gênica e do estresse oxidativo – na mucosa intestinal, resultando, entre outras consequências, na atrofia das vilosidades e má absorção de macro e micronutrientes.

Foi através da nutrigenômica que foi possível verificar os efeitos de diversos compostos bioativos e nutrientes possuem atividade modulatória no processo inflamatório, como a vitamina C, vitamina E, ácidos graxos ômega-3, compostos fenólicos, carotenoides. Além disso, possuem a capacidade de reduzir a produção de oxidantes, mantendo a integridade da mucosa e da resposta inflamatória.

O aprofundamento e o conhecimento nessa temática são essenciais de ser entendidos para os futuros cuidados em saúde executados pelos nutricionistas.

SCHMIDT, Leucinéia; SODER, Taís Fátima; BENETTI, Fábia. Nutrigenômica como ferramenta preventiva de doenças crônicas não transmissíveis. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 23, n. 2, 2019.
VALENTE, Maria Anete Santana et al. Nutrigenômica/nutrigenética na elucidação das doenças crônicas. HU Revista, v. 40, n. 3 e 4, 2014.