COVID-19 e Nutrição

Os estudos com o covid-19 têm avançado rapidamente. A Nutrição tem um papel superimportante, seja na modulação de nutrientes indispensáveis ou no oferecimento dos compostos bioativos dos alimentos (CBAs) com ação antiiflamatória.

Mais que modular sistema imunológico, promover uma dieta anti-inflamatória tem sido fundamental. Os estudos mostram que o covid-19 é um vírus extremamente diferente dos outros corona. Essa informação nos diz duas coisas: a primeira é que NÃO PODEMOS NOS BASEAR NOS ESTUDOS PUBLICADOS COM OS OUTROS CORONA PARA ESTABELECERMOS ESTRATÉGIAS NUTRICIONAIS; a segunda é que, em função da cascata inflamatória gerada pelo COVID-19, o enfoque nutricional deve estar em manter a homeostase de citocinas inflamatórias. Nesse sentido, todas as condições metabolicamente comprometidas devem ser moduladas: obesidade, diabetes, hipertensão, dislipidemias, hiperuricemia. Todas essas situações tem em comum a produção aumentada de citocinas inflamatórias. Então, devemos pensar em alimentos, nutrientes e CBAs antiinflamatórios. Esse é o primeiro ponto.

Não adianta usar nutrientes isolados, CBAs para modular sistema imune. Primeiro porque não sabemos qual a via de ação do COVID-19 e segundo porque modulação imunológica se faz em longo prazo.

Confira alguns alimentos que podem ser utilizados visando melhorar resposta anti-inflamatória:
- Azeite extra-virgem até 0,5% de acidez, aromatizado com tomilho orgânico pode ajudar a modular microbiota intestinal, modificando o perfil de bifidobactérias e também é capaz de reduzir LDL oxidada; ambos importantes para reduzir inflamação; além de modular insulina por seu efeito contrário ao ácido palmítico dos ultraprocessados.
- Adicionar oleaginosas à alimentação, fontes de gorduras de boa qualidade: castanhas, nozes, macadâmias, pistache, amendoim;
- Realizar uma mistura de 3 partes iguais de 3 óleos: óleo de macadâmia + óleo de linhaça + azeite de oliva extra virgem até 0,5%, oferecendo assim uma boa proporção excelente de ômegas 3, 6 e 9.
- Adicionar cúrcuma para efeito anti-inflamatório (além de seus outros inúmeros efeitos: antioxidante, moduladora de insulina, moduladora de microbiota intestinal, entre outros). Importante: tomar cuidado com a procedência desta cúrcuma, que deve conter aproximadamente 95% de curcumina e não ter sofrido o processo de irradiação, muito comum nas cúrcumas vendidas em supermercados.
- Incluir chás para consumo de polifenóis. Importante: fazer um rodízio de chás. Quanto maior a variabilidade, maior a oferta de polifenóis e menor o risco de hepatotoxicidade.

Por fim, entendemos que a nutrição exerce um papel FUNDAMENTAL na defesa do organismo contra o COVID-19, seja na profilaxia, seja no melhor prognóstico, tornando esse organismo mais apto para resistir às possíveis intercorrências causadas pelo vírus.